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NR-1: a saúde mental entrou oficialmente na matriz de riscos da empresa

  • Foto do escritor: Simone Gallo
    Simone Gallo
  • 2 de mar.
  • 2 min de leitura

Artigo 1 da série sobre NR-1 e estratégia empresarial


A NR-1 sempre foi a norma estruturante da segurança e saúde no trabalho. É ela que estabelece as bases da gestão de riscos ocupacionais, os deveres do empregador e do empregado, a lógica dos treinamentos obrigatórios e a organização do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).


O que muitos ainda não compreenderam é que a atualização da norma não foi apenas técnica. Foi estratégica.


A partir da inclusão expressa dos riscos psicossociais dentro do PGR, a saúde mental deixa de ocupar o campo das iniciativas voluntárias ou das políticas de clima organizacional. Ela passa a integrar formalmente o sistema de gestão de riscos da empresa.


E isso desloca o tema do discurso: a NR-1 reposicionou a responsabilidade: não é o indivíduo que adoece — é a estrutura!


Quando falamos de riscos psicossociais, estamos falando de fatores organizacionais: ambientes tóxicos, metas estruturalmente abusivas, falhas de liderança, assédio moral ou sexual, sobrecarga crônica, ausência de espaços seguros de escuta. Não são mais questões subjetivas ou pontuais. São variáveis de risco que precisam ser identificadas, avaliadas, mitigadas e monitoradas.


A mudança é profunda porque altera a questão da responsabilidade da empresa.


Ao integrar esses fatores ao PGR, a norma exige que a empresa mapeie riscos psicossociais com a mesma seriedade com que já mapeia riscos físicos, químicos ou ergonômicos.


Além disso, exige um olhar estratégico para o tema e que os planos de ação, medidas preventivas, monitoramento contínuo e evidências documentais, estejam relacionados ao ambiente e não sejam apenas ações genéricas e isoladas que tratem o tema.


Tem que haver conexão entre RISCO MAPEADO, severidade e impacto do risco e plano de ação para mitigar o risco.


Além disso, outro ponto importante a considerar é que não há exceção por porte de empresas! Todas as empresas, das micro às grandes corporações estão submetidas à mesma lógica normativa. A diferença estará apenas no grau de maturidade da gestão.


Para a alta liderança, o impacto é direto: riscos psicossociais agora compõem a matriz de riscos corporativos. Influenciam passivos trabalhistas, afastamentos, produtividade, reputação e sustentabilidade do negócio.


A atualização da NR-1 marca uma virada silenciosa, mas estrutural. Saúde mental deixa de ser pauta de bem-estar e passa a ser elemento de governança.


Empresas que compreenderem essa mudança atuarão de forma preventiva e estratégica, integrando o tema ao seu modelo de gestão e de resultado corporativo!


Se a empresa tratar a NR-1 como mera formalidade documental, estará apenas criando uma aparência de conformidade enquanto o risco cresce de forma silenciosa e cumulativa. A ausência de gestão real dos fatores psicossociais amplia passivos trabalhistas, eleva afastamentos, compromete produtividade, fragiliza reputação e expõe a alta administração a questionamentos sobre diligência e governança. O risco que não é gerenciado não desaparece — ele se acumula, se sofisticada e, inevitavelmente, se materializa no pior momento possível.

 

 
 
 

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